Infância

Maximiliano Kolbe nasceu na pequena aldeia polonesa de Zdunska

Wola, em 08 de janeiro de 1894. Batizado no mesmo dia, o bebe recebeu o nome de Raimundo Kolbe.

Seus pais eram pobres, humildes teceloes que ganhavam com muito sacrifício o pao de cada dia. Desdobrando-se em dois, durante dez horas por dia, conseguia-se apenas o necessário para o sustento de uma família.

O pai, Júlio Kolbe, era alto, louro, de temperamento calmo e silencioso. Nao bebia, nao fumava e freqüentava a igreja com assiduidade. Mereceu o amor da esposa, Maria Dabrowska, de fisionomia mais delicada. Enérgica, devota, comunicativa, muito trabalhadora e empreendedora, dirigia com pulso firme o seu pequeno mundo e nao tolerava desobediencia.

Uma família de tres filhos homens: Francisco, Raimundo e José, os outros dois filhos vieram a falecer em tenra idade.

“Raimundo se distingüia dos irmaos até no receber o castigo por suas travessuras. Ele mesmo ia buscar o cinto para a puniçao, estendia-se sobre o banco e, após ter recebido sua dose de castigo, nos agradecia a nós pais e, imperturbável, ia guardar o cinto no lugar’. (nos conta Maria Dabrowska)”.

Ele era um menino normal, como todos os outros, e um dia fez sua maior travessura: Com o desejo de ter um bichinho de estimaçao, certa manha escondido da mae, foi comprar um ovo, sim ovo de galinha! – e o pos a chocar no galinheiro de uma vizinha. Assim poderia ter, também ele, o seu passarinho, mesmo que se tratasse de um pobre pintinho.

Quando Maria Dabrowska veio a sabe-lo da vizinha, foi aquele Deus nos acuda. Era-lhe inconcebível que o filho pudesse gastar mesmo que fosse um só trocado numa bobagem daquele tipo. “Mas nao sabe que toda moedinha custa muito suor para ganhá-la?” E aplicou-lhe uma surra, que desta vez foi mais enérgica que nunca. Mas o que mais o machucou interiormente foi aquela frase cortante, vibrada pela mae num tom de profunda amargura; “O que vai ser de voce, meu filho?”

Nos dias seguintes, Maria notou que uma enorme mudança se operava no menino. Com maior freqüencia o via entrar atrás da cortina

que escondia o pequeno altar da família. Espiava para dentro e sempre o via ajoelhado, as vezes chorando, diante da imagem de Nossa senhora de Czestochowa. Apercebeu-se por fim, que aquele filho estava se tornando bom demais para a sua idade. Principalmente quando voltava da igreja ou saia detrás da cortina florida, tinha semblante mudado, mais quieto, a ponto da mae pensar que o menino estivesse doente.

“O que tem meu Raimundinho? Nao se sente bem?” Ele baixava a cabeça sem dizer uma palavra.

"O que está acontecendo com voce, filho?" Silencio.

Mas a mae, que o conhecia muito bem, encontrou um jeito de pô-lo contra a parede. "Escuta, Raimundinho - sussurrou-lhe - voce sabe muito bem que para maezinha a gente deve sempre dizer tudo. De certo nao vai querer me desobedecer agora...."

Sendo muito obediente, assim contou a sua maezinha, tremendo de emoçao e com os olhos vermelhos, que se iam enchendo de lágrimas, lhe fez esta impressionante revelaçao:

Desde aquele dia em que a senhora me repreendeu, perguntado-me o que seria de mim, eu rezei muito a Nossa senhora, para que me dissesse o que aconteceria comigo. Certa vez na igreja Nossa Senhora me apareceu. Trazia nas maos duas coroas, uma branca e outra vermelha. Olhava-me com afeto. Perguntou-me se eu queria aquelas duas coroas. A branca significa que perseveraria na pureza, a vermelha que me tornaria mártir. Respondi-lhe que aceitaria as duas. Entao Nossa Senhora me olhou docemente e desapareceu...

Desde aquele dia, nao foi mais o mesmo menino, e freqüentemente, com o semblante radioso, me falava ainda do martírio, como do seu desejo mais veemente. Aos dez anos, seu coraçao já estava comprometido para sempre, a sua Rainha, a sua Senhora, a quem ele se dirigia como Ma mucha, a sua maezinha Imaculada.


Fonte livro Maximiliano Kolbe numero 16670
Autor Gino Lubich